terça-feira, 21 de julho de 2009

Daqui a umas horas estarei a ouvir a palavra "parabéns" e eis que passou mais um ano, um ano cheio de tudo que acabou em nada. Sei quem nada me irá dizer, sei que vocês dois até preferem esquecer, e mesmo que relembrem nada vão dizer. Foi um ano terrorífico, do qual posso dizer que fiz quase tudo, mas não obtive o que desejava, não fiz coisas que realmente queria e fiz muitas outras que não deveria. Passei uns quatros anos sem saber o que era uma lágrima, e neste ano redescobri-as, vieram a acompanhar muita coisa, como se existisse algo em mim que necessitava afogar, lágrimas de raiva ou de simples dor. Não foi o único que trouxe de tempos antigos para os dias de hoje, tratei de repetir muitos passos já dados anteriormente e que há anos não aconteciam. E as perdas foram imensas. Muita coisa mudou, eu próprio mudei, nada voltara a ser como antes, e tudo ficou guardado dentro de mim, como explicação da mutação que sofri, vi-me tornar pior sem conseguir interferir. Perdi a credibilidade na liberdade. Também nunca tive crenças, a vida encarregou-se de provar-me que nada nos salva quando precisamos, nem que ninguém nos protege acima de tudo. Tal não existe, não no meu mundo. Não há nada como aprender das piores formas, fica-nos marcado na carne para sempre. E de marcas compõem-se o meu "eu" actualmente, duras pancadas da vida que me deformam a alma e me sugam a vida. Não há qualquer razão para me darem os parabéns, não faz qualquer sentido para mim receber tal, não foi um ano composto por vitórias, por uma evolução saudável nem nada que se pareça, foi um ano onde sucumbiu um pouco mais de mim. No qual me tentei adaptar a novas realidades, e quis defender coisas por mero orgulho, e nem nisso tive êxito. E é apenas mais um dia sem saber o amanhã. Parabéns não, que me dêem os pêsames.

Neste momento já não faz sentido o "daqui a algumas horas", mas na altura em que escrevi tal fazia.

1 comentário:

  1. é vervdade. Há medos gigantescos!
    Há datas que só servem para massacrar, para relembrar aquilo que já tanto estamos fartos de saber e que tentamos sempre, a todo o custo, enterrar bem no fundo das nossas profundezas. Contudo, as datas são como tudo na vida, também elas têm os dois lados da moeda, tanto podem ser boas ou más. Ou seja, há datas e datas..

    Eu cá prefiro dar-te os parabéns do que os pêsames, afinal, ainda há datas boas.

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