quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Há dias em que o tempo passa lentamente, deixando que ecoem os pensamentos livremente, sem controlo algum, dias em que o ar frio bate-nos de frente e sabe bem senti-lo, mesmo que seja apenas o sentir de um qualquer tacto, não o ambicionado, não o que acelera o coração, apenas um tacto gelado que combina com a nossa alma. Há momentos em que qualquer palavra dita jamais será a certa, a indicada, momentos em que o fôlego gasta-se e o som parece não querer sair. O coração bate, é certo, mas agora não passa de um pedaço de carne como qualquer outra parte do meu corpo moribundo. Os sonhos desvanecem-se, olhando em redor não encontro o que procuro, e nem saberia dizer ao certo o que é. O vazio instalou-se, é agora rei de tudo quanto possuo, senhor da dor e do sofrimento. Cada segundo torna-se eterno, pensamentos estridentes e palavras insonoras, contrastes incoerentes. Escondo-me de mim, hoje não me apetece encontrar-me, teria de lidar com a realidade, e essa ainda me suga a essência. Olhar triste, ando perdido, mostraram-me vários caminhos, mas todos estavam bloqueados. Preso em mim mesmo, consigo ser o meu pior inimigo, rivalidades à parte não obrigo ninguém a dividir o meu espaço, já basta eu estar condenado a mim. Os dias e as noites parecem não diferir, ou então perdi a capacidade de constatar mudanças. Se este vazio fosse visível poderiam atravessar-me o peito com o braço, é o buraco provocado pela falta de ... algo deveras importante, o mais importante de tudo. Apenas me orgulho de ter percebido a sua importância muitos antes de perde-lo. Hoje nada faz sentido. O mundo pode continuar a girar, posso continuar a ter dificuldade em inspirar, o céu pode derrubar-se e o chão destruir-se, pois para mim já não faz sentido o "normal" de todos. Sentimentos ... como vos odeio e ao mesmo tempo respeito. Deixaram-me sentir o melhor, mas são impiedosos desde o momento em que cai por este abismo. Embaraçosa falta de força, desmoralizadora falta de vontade, passos pesados que nem marcas provocam. Tu que percorres cada espaço vivo em mim, alento quase dissipado do qual és a fonte de energia, céus como me deste sem ter nada em troca. Tive um mundo paralelo, dado, enriquecido, fortalecido, um mundo onde estava protegido contra tudo e todos. Divido agora um mundo com todas as outras pessoas. Iluminas mais que o sol e a lua, és fusão de ambas, és vida. Não sei. Não sei como mentalizar-me. Nem sei se consigo. Nem quero ter de fazê-lo.

2 comentários:

  1. Iluminas mais que o sol e a lua, és fusão de ambas, és vida.
    Gostei :)

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  2. Será que percebeste antes? Ou esse antes foi-te arrastado pelo depois minado pelo presente?

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