É engraçada a expressão que diz que quando o sol nasce é para todos, mas ao mesmo tempo existem aquelas pessoas que por mais que este brilhe estão envoltas numa tenebrosa escuridão. Para essas não há luz no mundo capaz de abrilhantar-lhes o caminho.
Os seus sonhos são destroçados com o acordar para a realidade, chegando mesmo a um ponto em que são ultrapassados por pesadelos, e aquele momento em que fecham os olhos e tentam descansar de nada lhes vale, acordam sufocados numa qualquer dor que não conseguem compreender nem derrotar. Faz parte da vida, crescer mediante o mau, ter de avançar quando tudo nos parece querer abrandar o passo, não sentimos justiça, prazer, tornamos-nos meros utensílios de uma vida na qual não vivemos, apenas planamos sobre coisas tácteis e almejamos alcançar algo mais.
Não queremos acreditar que o que temos será sempre igual, que nunca poderemos concretizar o que realmente desejamos, mas a cada nova queda tendemos a ver como perdemos algo mais, e recupera-lo… quem sabe, onde começam os impossíveis, o que os delimita dos possíveis, qual a linha que separa o concreto do profundo, esse que só nós mesmos sabemos e ninguém pode ver ou tocar, quem fez de nós reféns para nos sentarmos a espera de novas ordens, e a vida, quem vive a vida que sonhamos, desejamos e para a qual lutamos, quem mais se virá reflectido na felicidade de alcançar os objectivos que nós próprios definimos…
Porque desistir por outrem se somos nós os prejudicados.
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