Morre o órgão principal e o corpo segue andando, como pedaço de carne sem ânimo.
Respira-se e não se sente o ar entrar, dói, arde, perfura, a esperança torna-se praticamente nula.
Que foi feito de mim e de ti, de tudo o que queríamos construir,
como pudeste achar-me o melhor e em certo momento abandonar-me na angústia e sofrimento,
que foi feito dos nossos momentos.
Se me secavas as lágrimas porquê é que agora não te dizem nada,
e as palavras foram arrastadas,
os sentimentos oprimidos,
os gritos silenciados,
o meu reflexo tornou-se fracasso.
Como se segue quando já nada se quer,
como se avança no meio da insegurança,
com a alma vazia, desprotegidos e sem harmonia,
como se procura o caminho estando-se desorientados e perdidos.
Como se deixa o único que se queria,
quem nos protegia,
o espaço sagrado que fazia tudo seguir,
as palavras que davam sentido ao existir.
28/04/2011
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