
Como não hei de chorar, se tenho olhos que têm que ver e não vêem ?
Como não hei de afogar-me, se os meus pulmões absorvem ar, mas não respiram ?
Como não hei de ter perturbações, se o meu sangue não cabe na existência ?
Como não hei de aclamar por compensações, se em mim tudo é demência ?
Como não hei de desejar realizações, se me consumo em ânsias desiguais ?
Porque não hei de saciar eu as minhas paixões, se me arrasta um tumulto de males ?
E como, se respiro tentações, vai o meu pulso manter um ritmo normal ?
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