Uma situação recorrente quando se fala de crianças, é o
facto de mostrarem interesse pelo surgimento dos bebés, as perguntas da praxe
ou clichés… o que se queira chamar.
“De onde vêm os bebés” de forma a resumir toda a ideia.
Não me lembro dessa pergunta fazer parte da minha infância,
não tenho recordação alguma de ter essa duvida/interesse. Uma coisa que sempre
mexeu comigo foi mais o que acontece no fim.
O que acontece quando se morre, quando somos colocados
dentro daquela “caixa” e nos jogam terra por cima. Será que surgem bichos que
devoram o nosso corpo, será que podemos acordar lá debaixo e sentir falta de ar…
tantas e tantas perguntas, lembro-me de pensar nisso muitas vezes e ficar
angustiado. Lembro-me de pensar se será que quando o momento chegasse me iria
lembrar de decorar como seria para tirar todas as duvidas … patético ?
Continuo a pensar nisso passados tantos anos, mas não como a
mesma angústia de criança, do receio abrupto do desconhecido. Talvez agora me
acalme o pensar que não poderá ser muito pior do que estar-se vivos.

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