Andar por andar, sem vontade de nada, respirar sem vontade, comer e beber apenas por necessidade, não sei que foi feito do gosto, a luz fere-me os olhos, até mesmo a ténue. As noites tornam-se eternas, o cansaço é muito, mas não me permite dormir, o relógio mostra-me as horas que perdi a fazer nada ... Não sei distinguir a dor física da mental, mas lembram-me que estou vivo, e acompanha-me. A física pode deixar marcas na pele, mas a mental corrói partes não visíveis de mim. Faz-me ser destrutível, para o que me rodeia, acima de tudo para mim, lembra-me os erros que cometi e tendem a voltar sempre que me aperta o peito de novo. As dúvidas rondam-me, quero saber, mas a resposta assusta-me. Devia ter perdido o valor a muito tempo, porque insiste em ser importante o que deveria ter desvanecido. Musicas que fazem voltar esses pensamentos, pequenos gestos, não me ajudes, deixa-me cair, deixa-me ficar onde a luz não me toque a pele, não me aqueça, deixa-me no frio, deixa-me destruir o corpo ao ritmo da mente. O silêncio não me incomoda, sei que estou só, sei que por companhia levo o meu pior inimigo, a mim mesmo. Não me posso salvar do que sou, nem sei o que quero, o abismo é profundo e o que o causou já nem importa mais, já nada importa ... ou sim.
Parece que estou sempre falhar-vos, chocar-vos, acho que vou sempre surpreender-vos, é normal ? Sempre pela negativa não ! Quero ir onde não posso, quero deixar de estar onde estou, parar de ser o que sou. Sobreviver ao mundo, diz antes sobreviver a mim próprio, todas essas coisas que não me mataram, feriram, deixaram marca, magoaram, posso odiar quanto queira, tenho direito de sentir algo, mesmo que coisas más, apenas sentir ...
'Quero sentir tudo, de todas as maneiras...' *
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