
Quero puder escrever debaixo de água. Enquanto cada gota percorre o meu corpo, numa tentativa desesperada de limpar algo mais profundo e intocável. Quero pegar numa caneta e num pedaço de papel e transcrever cada pensamento que me ocorre nesses momentos. Se pudesse parar o tempo nesses vagos momentos de abstenção da dor, onde liberdade é a palavra de ordem, mesmo sendo uma liberdade irreal, sempre me apazigua por instantes. Tudo é tão claro quando o pensamento corre livre com uma direcção escolhida ao acaso, não procuro explicações, apenas me deixo ir com o devaneio que me acompanha. A água não me desvenda mistérios, não me resolve os problemas, mas dá-me certa satisfação e relaxa-me o corpo, deixa-me respirar melhor, adoro esse contraste da maioria dos humanos não respirarem quando submersos e eu sim.
Mas quando saio de lá os pensamentos que tive escoam juntamente com a água, não consigo recupera-los, ficam perdidos no espaço de tempo em que os realizei, queria puder concretiza-los e dizer a certas pessoas o que me ocorreu, o que planeei, o que recordei, o que obtive enquanto estive lá.
Apenas quero um papel à prova de água.
Quero papel à prova de água também Genzo :$
ResponderEliminarQuero não ter de rasgar pedaço a pedaço de folha até que a tinta borratada pelas lágrimas suma... :$ arranja uma rima.